quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Mayralicença

O melhor, até agora, das minhas férias.

Em dois dias li essa Odisseia que há muito já aguardava um momento em minha estante. A primeira impressão ao abrir a primeira página foi: "ma que que é isso?", o texto estava todo em verso. É, Moraes Moreira, meu amigo. Com um pouco de receio (afinal de contas, esperava por uma intensa prosa), embarquei na viagem. E após muito arrepios, risos e lágrimas separei algumas palavras de Moraes destacadas lá, aqui:

"Quem sabe leva na manha e sempre vence a batalha."


"Quem sabe não era hora
De rever certos conceitos
De repensar atitudes
Botar o orgulho pra fora
Reconhecer os defeitos
Valorizar as virtudes"


"Existe algo inerente
À natureza humana
Que não é só unidade:
- Pode pensar diferente -
A vida seria insana
Não fosse a diversidade"


Eu sonhei que fazer arte
Era como fazer parte
Do todo, do absoluto
Ser pleno no plano do eu
Que está na palavra Deus
Eu sonhei por um minuto,
Mas meu sonho na verdade
É tornar realidade
Essa nossa vocação
Sem alimentar o ego
Pra não ser um guia cego
Conduzindo a multidão

("Ser artista")



Chorar é preciso
(gravada por Fagner)

Dizem que o homem não chora
Na vida eu penso
Por isso mesmo é que agora
Quero encharcar o meu lenço,
Deixar rolar pelo rosto
Todo pranto contido
Sentir da lágrima o gosto
Chorar por todos os sentidos

Dizem que não chora o homem
Penso na vida
Chora e chora pela fome
E pela comida
Por tudo que tem direito
E o tempo todo teria
Até ver os nós desfeitos
Só chorar de alegria

Molhar a terra e o pano
Pela guerra e pelo ser humano
Chorar na minha
Num choro de Pixinguinha,
Por emoção por prazer
Chorar de rir de sofrer,
Chorar é bonito
E não faz vergonha
Eu só acredito
No homem que chora e sonha



Onde me procuro me acho
No traço e na cor dos demais
Debaixo da pele, debaixo
Nos descobrimos iguais

(Culturas e religiões, parceria com o filho Ari Moraes)


Não se assuste pessoa
Se eu lhe disser que a vida é boa
(...)
Eu sou amor
Da cabeça aos pés

("Dê um rolê", com Galvão)


Felicidade é uma cidade pequenina
É uma casinha é uma colina
Qualquer lugar que se ilumina
Quando a gente quer amar

("Pão e poesia", com Fausto Nilo)



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